segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Monteiro Lobato

O sítio do Monteiro Lobato

Cultuado há 80 anos, o autor continua como a grande referência na literatura infantil nacional


Monteiro Lobato gostava de conversar com a menina Emília, a bonequinha de pano que ele próprio havia inventado e apresentado ao público no livro A menina do narizinho arrebitado, de 1920. Dizia que ela se sentava ao lado da máquina de escrever e, a todas as suas indagações, afirmava: “Eu sou sua independência ou morte, porque sou você mesmo”.

Acontece que Emília era o alter ego de Lobato, curiosa, falava demais e tudo o que tivesse vontade. “Ele conversava muito com ela e era exatamente assim: um homem que enfrentava tudo, que queria descobrir, experimentar, provocador, revolucionário”, relembra a escritora Tatiana Belinky, 91 anos, amiga do escritor no final de sua vida e a responsável, junto com o falecido marido Júlio Gouveia, pela primeira adaptação do Sítio do Picapau Amarelo para a televisão, em 1951, na extinta Tupi de São Paulo.

Mas Emília era apenas a gênese do universo intricado de José Renato Monteiro Lobato, o menino que nasceu na cidade paulista de Taubaté, em 18 de abril de 1882. Isso porque seu mundo era muito mais amplo e complexo do que as histórias que lhe trariam fama na literatura. Era conservador? Era modernista? Depende do ângulo de que se olha. Fato é que sempre esteve à frente de seu tempo. Foi ligado ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), espírita, investiu dinheiro, saúde e sua liberdade na defesa do petróleo nacional e, acima de tudo, transformou a literatura infantil brasileira ao lançar mais de 30 títulos da série Sítio do Picapau Amarelo – além de duas dezenas de livros e romances destinados aos adultos.

“Lobato fundou a literatura infantil no Brasil. Não tenho memória de nada tão importante, nem antes nem depois dele. E não há ninguém com essa irreverência e essa criancice toda”, destaca a escritora de literatura infantil e juvenil Fanny Abramovich, 70 anos. “Ele é mais do que uma influência, porque ele é fundamental, mora dentro de mim”, completa.

AS MUITAS ESTRADAS 
José Renato tinha apenas 11 anos quando resolveu mudar seu nome para José Bento. O motivo? Usar uma bengala que havia ganhado de herança antecipada e com as iniciais do pai José Bento Marcondes Lobato. Esse tipo de decisão era apenas uma faceta do garoto de personalidade forte que vivia enfurnado na imensa biblioteca do avô, Visconde de Tremembé, lendo Estranhas aventuras de Robinson Crusoé e toda a obra de Júlio Verne.

Na adolescência, colaborou com pequenos jornais literários de sua cidade natal e alguns de São Paulo, enquanto era interno do Instituto de Ciências e Letras. Mas perdeu muito de suas referências aos 16 anos, quando morreu seu pai, vítima de congestão pulmonar, e um ano depois sua mãe, Olímpia Augusta Lobato, que passava por uma profunda depressão.

Órfão e com 17 anos, Monteiro Lobato precisava dar vazão à paixão pela literatura e pelo desenho. Mas, se a vontade era cursar a Faculdade de Belas Artes, foi em direito que se formou, por imposição do avô. Isso não o impediu, no entanto, de participar dos movimentos literários estudantis na Faculdade do Largo de São Francisco.

Depois de formado, adiou o sonho artístico ao assumir a promotoria pública da pequena cidade de Areias (interior do estado) em 1907. E, no ano seguinte, casou-se com Maria Pureza da Natividade, a Purezinha, com quem ficou até o fim da vida. Casado e apaixonado, Lobato se esforçava, sem sucesso, para ser feliz como promotor e negociante. Tentou de tudo: fundar uma fábrica de doces em calda, sociedade em um negócio de estradas de ferro e a vida de fazendeiro, quando, aos 29 anos, mudou-se com a família para a Fazenda S. José do Buquira, deixada pelo avô. Perto dali, na Chácara do Visconde, em Taubaté, existe o Museu Monteiro Lobato, aberto diariamente para visitação.

Mas seu destino era escrever. Talvez por isso, o sucesso na literatura viria do acaso, em 1914. Na época, Lobato, pai de Marta, Edgar e Guilherme – Rute, a quarta e última filha, nasceria em 1916 –, escreveu uma carta indignada para O Estado de S. Paulo reclamando das constantes queimadas praticadas pelos caboclos que moravam na região de sua fazenda. Intitulado Velha praga, o texto alavancou o nome de Lobato.

Motivado, o escritor mudou-se para São Paulo em 1916 e, em pouco tempo, já escrevia constantemente no jornal e em revistas, além de lançar, em 1918, o primeiro livro O Saci Pererê: resultado de um inquérito. Embalado, comprou nesse mesmo ano a Revista do Brasil e fundou, em 1925 no Rio de Janeiro, a Companhia Editora Nacional.

PICAPAU AMARELO
Falar de Monteiro Lobato é falar de infância e, consequentemente, sobre o Sítio do Picapau Amarelo. Na fábula, dona Benta vive feliz em um sítio com seus netos Narizinho e Pedrinho e a cozinheira negra Tia Nastácia. Certo dia, Narizinho sai pra passear com Emília, a boneca de pano muda que começa a falar desenfreadamente depois de tomar uma pílula mágica do Doutor Caramujo. Irreverente, ela apronta todas na companhia de Visconde de Sabugosa, um aristocrático boneco de sabugo de milho, o leitão Marquês de Rabicó, o burro Conselheiro e tantos outros personagens.

“O Sítio é o território da infância, onde ninguém trabalha, ninguém faz nada. Não existe pai nem mãe, só duas avós que brincam com as crianças o tempo todo”, enfatiza Fanny.

A mesma certeza tem Tatiana Belinky, que, de 1951 a 1963, foi roteirista e responsável, com o diretor Júlio Gouveia, pela primeira adaptação da série para a TV Tupi. “Foram 12 anos ao total. É um grande prazer e honra ter feito a sé- rie e ela ter sido tão bem recebida. A gente fazia ao vivo um episódio por semana, sempre em horário nobre. E a criançada corria pra frente da TV”, conta ela.

Nos livros ou na TV – na qual ganhou adaptações em todas as décadas seguintes –, é difícil apontar quem não viveu no universo lúdico da série de Lobato e não tenha se apaixonado pela menina Emília.

“Emília é uma história à parte. Quem não quer ser igual a ela, independente, que sabe o que quer, que enfrenta todo mundo? Quando eu quero ser sacudida, não preciso de nenhum psicanalista. Basta ler Emília brinca Fanny, autora de O estranho mundo que se mostra às crianças (1983, esgotado) e Brincando de antigamente (1996, esgotado), entre outros.

POLÍTICA E PETRÓLEO
O mesmo homem celebrado pelas histórias infantis seria perseguido pelo governo de Getúlio Vargas nos anos 1930. Lobato encabeçava campanha pela soberania brasileira na extração e refino do petróleo enquanto o discurso governamental buscava facilitar a exploração por parte de empresas estrangeiras.

Sem se intimidar, o escritor gastou as últimas economias na fundação de quatro empresas de perfuração, sem jamais recuperar o investimento. Depois, perdeu prematuramente os dois filhos. Primeiro Guilherme, em 1938, depois Edgar, em 1943, ambos vitimados pela tuberculose, e ficou preso em 1941 por três meses durante o Estado Novo, por fazer duras críticas ao Conselho Nacional do Petróleo. Curiosamente, dois anos antes, em 1939, o petróleo foi descoberto em Salvador, em uma área chamada Lobato.

Mas a vida de Monteiro Lobato nunca mais foi a mesma. Foi perseguido por Getúlio e pelo governo seguinte, de Eurico Gaspar Dutra. E, do inconformismo com o país, escreveu Zé Brasil (1947), o último livro da carreira e que trazia à tona mais uma vez seu famoso personagem Jeca Tatu, dessa vez transformado em sem-terra.

A
morte veio em 4 de julho de 1948, após um espasmo cerebral. Dia antes, como Maria José Sette Ribas, a já falecida revisora por toda a vida contou no livro Monteiro Lobato e o espiritismo (2004), o escritor assim se despediu: “Minha flha, amanhã ou depois, se vir no jornal que eu morri, você não vai chorar. Sabe bem que não morremos e esta foi, apenas uma de minhas passagens sobre a terra. Somos imortais”.

sábado, 16 de outubro de 2010

Outubro - mês da criança

Li este artigo e achei muito interessante colocá-lo aqui no blog para conhecimento de quem queira.


Contos de fadas, Bettelheim e o imaginário infantil

por Kelly de Souza | Infantil, Literatura, Psicanálise
Até onde se sabe, Rousseau, um dos mais importantes pensadores do Iluminismo francês, não era chegado aos contos infantis, banindo-os do currículo escolar em sua época por acreditar que as crianças já eram já muito privilegiadas pela imaginação. Certamente que Rousseau, inspirador de quase todos os grandes movimentos intelectuais a partir do século XVIII, não acertou em tudo. Ninguém acerta. Mais razão tinha o austríaco Bruno Bettelheim (1903-1990), psicólogo, educador, autor de mais de 17 livros e um dos mais importantes estudiosos da psicanálise infantil do século XX. “Os contos de fadas são portadores de mensagens importantes para o psiquismo consciente, pré-consciente ou inconsciente das crianças, qualquer que seja o nível em que funcionem”, escreveu ele.
A célebre obra de Bettelheim, A Psicanálise dos Contos de Fadas, publicada em 1975, talvez seja o ponto de inflexão da literatura infantojuvenil. Depois da publicação do livro, os contos de fadas passaram a gozar de maior respeito por parte de educadores e psicanalistas.
Essa é também a visão de Laura Sandroni, Mestra em Literatura Brasileira, Membro da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e autora de várias obras, como Ao longo do Caminho (2003) e Grandes Poemas em Boca Miúda (2002). Para Sandroni, a obra de Bettelheim teve um efeito decisivo para a mudança de orientação dos pressupostos educativos sobre a Literatura Infantil, mostrando que os contos contribuem para o desenvolvimento pessoal das crianças, bem como para o enriquecimento de sua imaginação. “A Literatura Infantil, tal como existe em nossos dias, nasceu da evolução dos contos de fadas que substituíram os textos didáticos moralizantes escritos em épocas anteriores. Esses textos, considerados historicamente antecessores do gênero, negavam-lhes no entanto a qualidade de textos literários, que a fantasia dos contos tradicionais contribuiu decisivamente para lhes acrescentar”, explica Sandroni.
Mas a vida de Bettelheim não foi definitivamente um conto de fadas. Nascido em Viena, teve uma infância infeliz causada por várias carências, mas principalmente pelo longo declínio físico de seu pai, portador de sífilis. Logo Bettelheim apresentou sinais de depressão. Aluno brilhante, animado com o trabalho, graduou-se em filosofia, estudou a cartilha de Freud (depois seu amigo), mas era um jovem cheio de ódio por não seguir suas aspirações em função das obrigações financeiras e familiares. Por sua origem judaica foi enviado em 1938 para os campos de concentração (Dachau e Buchenwald) onde ficou por 11 meses, até que em 1939 conseguiu ir para os Estados Unidos onde em 44 se naturalizou.
Embora fosse reverenciado como um grande psicanalista, Bettelheim nunca recebeu qualquer formação psicanalítica acadêmica. Era um homem apaixonado pelas causas que envolviam crianças mentalmente perturbadas, tratando-as de maneira pouco ortodoxa em sua escola para crianças com distúrbios mentais graves (Orthogenic School). Com o crescimento de sua reputação, de tudo foi acusado um pouco: de ser agressivo com os menudos, de ir contra a opinião dos pais, de ser arrogante, e por aí vai. Ao mesmo tempo em que ganhava reconhecimento e sucesso por seus livros, técnicas pedagógicas, teses, ensaios e pensamentos, Bettelheim colecionava contraditórios e a ira de muitos estudiosos.
Logo depois das pesquisas que identificaram a Síndrome de Asperger (autismo), alguns psicólogos freudianos adotaram a teoria de que as crianças autistas tinham algum problema com os pais, principalmente com a mãe, e por isso não progrediam. O pioneiro em adotar esse pensamento nos EUA foi Bettelheim, que passou a “acusar” as mães dos deficientes de serem frias, sem sentimentos (“mães geladeiras”). Recebeu críticas de todos os lados, embora suas teorias tenham sido assimiladas e seguidas por vários anos. A depressão e o sufoco de uma carreira profissional conturbada e contestada, além da doença de sua esposa que morrera de câncer em 1984, levaram Bettelheim ao suicídio em 1990, aos 86 anos, para grande surpresa da comunidade científica. Mesmo após a sua morte, pais e psicanalistas o acusaram de praticar experiências exageradas, ou sem comprovação qualificada. A biografia “Bettelheim: A life and a legacy” (1996), de Nina Sutton, destrincha esse calvário do austríaco em detalhes.
Mas, se as teorias sobre autismo de Bettelheim foram ao longo dos anos contestadas, no que diz respeito ao “poder das fadas” no imaginário infantil nunca houve dúvidas sobre suas afirmações, sendo seus livros e estudos até hoje uma fonte de referência para a educação e para a psicanálise infantil. “A aquisição de habilidades, incluindo a capacidade de leitura, perde o valor quando o que se aprende não acrescenta nada de importante à nossa vida. É esta exatamente a mensagem que os contos de fadas trazem à criança, de múltiplas formas: que a luta contra graves dificuldades na vida é inevitável, mas se o homem não se furtar a ela acabará por dominar todos os obstáculos e sair vitorioso”, escreveu Bettelheim.
“A menina do Chapeuzinho Vermelho foi o meu primeiro amor. Sentia que se pudesse ter-me casado com ela teria conhecido a verdadeira felicidade”. Essa afirmação de Charles Dickens, como ressalta Bettelheim, indica que ele, como milhões de crianças pelo mundo fora também foi “infectado” pelos contos infantis. Muitos outros autores, como Otto Rank, Ernest Jones e Freud (claramente explicado em A Interpretação dos Sonhos), demonstraram que livros com narrativas assemelhadas aos contos de fadas têm grande efeito na formação da petizada. No Dia da Criança, é sempre bom lembrar a importância que a “fadinha” tem na mente infantil, não importando se hoje ela usa óculos e se chama Harry Potter.
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Kelly de Souza é jornalista colaboradora da Revista da Cultura e Blog da Cultura. Compulsiva por literatura, chocolate e escrita - não necessariamente nessa ordem.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Renato Russo

Renato Manfredini Júnior, nome artístico: Renato Russo (Rio de Janeiro, 27 de março de 1960 — Rio de Janeiro, 11 de outubro de 1996) foi um cantor e compositor brasileiro.
Russo é considerado um dos mais importantes compositores do rock brasileiro. Sua primeira banda foi o Aborto Elétrico (1978), a qual durou quatro anos, e terminou devido às constantes brigas que havia entre ele e o baterista Fê Lemos. Renato herdou desta banda uma forte influência punk que influenciou toda a sua carreira. Nessa mesma época, aos 18 anos, assumiu para sua mãe que era bissexual, em 1988, assumiu publicamente.
Em 1982, integrou a banda Legião Urbana. Nesta nova banda desenvolveu um estilo mais próximo ao pop e ao rock do que ao punk. Russo permaneceu na Legião Urbana até sua morte, em 11 de outubro de 1996.
Gravou ainda três discos solo e cantou ao lado de Herbert Vianna, Adriana Calcanhoto, Cássia Eller, Paulo Ricardo, Erasmo Carlos, Leila Pinheiro, Biquini Cavadão e 14 Bis.


Renato Russo - O Filho da RevoluçãoO livro, que teve apuração acuradíssima, traz muitas informações inéditas e interessantes sobre Renato Russo, líder da Legião Urbana e maior ídolo do rock brasileiro. A vivência do músico na capital controlada pelos militares é pela primeira vez reconstituída em detalhes. Letras inéditas e documentos descobertos pelo autor revelam aspectos pouco conhecidos da trajetória do artista: paixões, angústias, sonhos e confissões. A obra conta com mais de cem entrevistas, incluindo depoimentos de Dado Villa-Lobos, Dinho Ouro-Preto, Herbert Vianna, Millôr Fernandes, Ney Matogrosso, Tony Bellotto e vários amigos anônimos. Um retrato do artista multifacetado que foi Renato Russo.

"Nosso Lar" é o nome da Colônia Espiritual que André Luiz nos apresenta neste primeiro livro de sua lavra. Em narrativa vibrante, o autor nos transmite suas observações e descobertas sobre a vida no Mundo Espiritual, atuando como um repórter que registra as suas próprias experiências. Revela-nos um mundo palpitante, pleno de vida e atividades, organizado de forma exemplar, onde Espíritos desencarnados passam por estágios de recuperação e educação espiritual supervisionados por Espíritos Superiores. Nosso Lar nos permite antever o Mundo Espiritual que nos aguarda, quando abandonamos o corpo carnal pela morte física.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ler espanta a solidão!!

Comer, Rezar, Amar



Em torno dos 30 anos, Elizabeth Gilbert enfrentou uma crise da meia-idade precoce. Tinha tudo que uma americana instruída e ambiciosa teoricamente poderia querer - um marido, uma casa, um projeto a dois de ter filhos e uma carreira de sucesso. Mas em vez de sentir-se feliz e realizada, foi tomada pelo pânico, pela tristeza e pela confusão. Enfrentou um divórcio, uma depressão debilitante e outro amor fracassado, até que se viu tomada por um sentimento de liberdade que ainda não conhecia. Foi quando tomou uma decisão radical - livrou-se de todos os bens materiais, demitiu-se do emprego, e partiu para uma viagem de um ano pelo mundo - sozinha.

Comprometida

Uma Historia De Amor




Este livro examina questões de compatibilidade, paixão, fidelidade, tradição familiar, expectativas sociais, os riscos de divórcio e responsabilidades mundanas. Liz Gilbert procura desfazer os mitos, desmontar os medos, construir uma perspectiva histórica e trocar fantasias românticas por vitais compromissos emocionais.